sexta-feira, agosto 06, 2010

As incertezas (des) necessárias

O dia a dia está cada vez mais corrido. Parece que na era da obesidade da informação, o tempo passa mais rápido e a dificuldade de se concentrar no que realmente interessa fica maior.
Vira e mexe eu me pego pensando no trabalho enquanto estou em casa ou conversando muito sobre as coisas que tenho feito com o Eden. Acho ruim levar trabalho para casa ou ficar falando de trabalho em casa, ainda mais quando rola aquele sentimento de culpa quando cai a ficha.
A yoga tem, como sempre, sido um refúgio para o presente. Sim, toda esta sensação de velocidade intensa do tempo está, na minha opinião, relacionada ao costume de focar nossa mente no futuro ou no passado.
É sempre difícil manter o olhar no presente e mais difícil ainda focar o olhar no nosso eu interior.
Parece que meus posts estão repetitivos, mas acredito que toda esta sensação de incerteza são extremamente necessárias para a era de transição que estamos vivendo.
O mundo todo, seja no âmbito corporativo, político, doméstico ou sei lá mais o que, parece estar questionando como vai ser isso, como vamos viver, como parar de destruir, como unir esforços, como, como, como.
Minha reflexão é que não há certezas, há sim necessidade de viver as incertezas. São nestes momentos que conseguimos descobrir coisas produtivas e válidas.
Enfim, só mais uma reflexão sem sentido para pensarmos.

Inté!

quarta-feira, junho 23, 2010

Corrupção, indignação e a hora de se mexer

Sumi de novo. É impressão minha ou sumir tem se tornado uma constante na vida da maioria das pessoas? Tenho a sensação de que estamos sendo quase sufocados com a quantidade de coisas para fazer que os encontros simples estão cada vez mais raros.
Resolvi escrever para compartilhar uma indignação. Estamos comprando uma casa, vontade de ter mais espaço e se sentir menos amontoado.
Escolhemos uma casinha gostosa, mas estava com a regularização da metragem fora de ordem. Como estamos comprando, quem tem que regularizar isso seria o vendedor, certo?
Não, no Brasil o que vale é a lei do jeitinho.
Como não concordamos em ir por caminhos estranhos dentro da prefeitura, o negócio está sendo desfeito. Eu nunca tinha tido contato com a corrupção assim, de forma descarada. O intermediador do negócio sugeriu este "jeitinho"de forma tão convincente que a maioria das pessoas simplesmente descolaria a grana e pagaria, sem pensar muito nas consequencias de um ato de corrupção indireto.
Eu, como bom mineiro desconfiado, questionei. A lógica do todo-mundo-faz não colou conosco.
Tenho a convicção que muito coisa que me desagrada no Brasil é reflexo destes pequenos atos, aceitos por grande parte das pessoas, principalmente pela classe média.
Incomoda e é triste dizer, mas grande parte das pessoas com quem convivo aceitaria este caminho mais fácil. Não estou julgando, mas refletindo porque nossos valores morais são tão rasos e frágeis.
Todo mundo se indigna com os políticos corruptos (eu também sou indignado), mas esta cultura do clientelismo está no nosso dia a dia, não em Brasília.
Quem tem que lidar com o poder público de forma mais direta e constante, quase inevitavelmente se rende a algum desvio como este. Por necessidade ou comodismo, nós somos os maiores responsáveis pela burocracia eterna, pelo tráfico de influências, pela corrupção, pelo sucateamento dos serviços públicos, pela miséria, pela violência etc.
Não estou curtindo mais me esquivar desta responsabilidade e jogar para os outros a responsabilidade por algo que é nosso, não dos nossos vizinhos somente.
Esta é mais uma reflexão. Tenho compartilhado esta indignação com diversos amigos que, para mina=ha surpresa, pensam mais ou menos da mesma maneira que eu.
Estou planejando algo legal, para canalizar este desejo de mudar esta eterna cultura de apatia com o próximo que não deixa nosso país dar o próximo passo.
Logo, logo compartilho isso por aqui.
Inté!

quarta-feira, abril 28, 2010

Inspira, expira!

Inspira, expira (Inhale, Exhale!)
Tenho buscado manter estas frases em minha mente o maior tempo possível.
Este é o som que lembro quando penso nos gurus indianos e suas incríveis capacidades de voltar a atenção para si, buscando uma harmonia cada vez maior com o universo.
O simples ato de sentir a respiração é o primeiro passo para entender que a dádiva de bem viver vale mais que qualquer outra coisa.
Nos últimos dias, aprendi a conviver com uma úlcera inesperada. Ok, o fato parece corriqueiro nos dias de hoje, mas fiquei bastante surpreendido em saber que tinha desenvolvido esta pequena ferida em meu estômago. Tomo  muito cuidado com minha alimentação e me considerava um cara calmo.
O fato é que minha nova companheira levou-me a refletir sobre meus hábitos ainda mais. Desde que comecei a fazer yoga, a busca por uma alimentação mais saudável e pelo equilíbrio das emoções têm sido uma constante. Nesta batalha, mais emocional do que física, não cheguei a abrir mão de minhas cervejinhas e, de vez em quando, cigarrinhos diversos.
Agora que estou realmente abdicando dos prazeres etílicos, percebi que há muitos anos vinha trazendo o álcool como companheiro social. É uma constatação óbvia, mas quando você precisa se adaptar e encarar momentos sociais sem ele, percebe que as coisas são diferentes.
Confesso que no primeiro momento tudo pareceu chato, sem graça. Depois de algumas saidas sem "subverter a realidade", passei a encontrar a distração nas pequenas coisas.
O sabor da comida, o cheiro das pessoas (às vezes ruins) e as cores dos objetos tomam outra dimensão e importância quando buscamos a presença no momento.
Estou gostando da ideia e o desafio de não me incomodar com atos e atitudes alheias também tem sido uma aventura.
Seria melhor se o ato de inspirar e expirar contasse com um ar um pouco mais limpo.
Mas aí é outra história, em uma terra muito distante... de São Paulo.

sábado, março 06, 2010

Compartilhar informação (e momentos)

Mais uma vez, eu e meu companheiro Eden fomos convidados a dar uma entrevista sobre o contrato de união homoafetiva que assinamos no final do ano passado.
Desta vez, nossa entrevista foi para a repórter Carolina Romanini da revista Veja. Apesar de ser um crítico assíduo do projeto editorial de Veja, aceitamos dar a entrevista depois do bate-papo com a jornalista.
Ela foi extremamente profissional e conseguiu fazer uma matéria sem jogos de palavras ou preconceitos implícitos.
Sobre minha (e nossa) visão sobre o assunto, leiam o post anterior aqui.

Confiram a matéria:

terça-feira, março 02, 2010

"Só um minutinho!" - A intensidade do momento


No último domingo, assisti na TV uma apresentação de um historiador sobre a utopia da idade perfeita. Depois de algumas cochiladas no meio do caminho, em algum ponto do debate, passei a refletir sobre algo que ele disse: “a insatisfação em todas as idades pode ser sintoma da nossa incapacidade de viver o presente”.

Viver o presente tem se tornado um desafio em tempos de Big Brother, Facebook e Twitter. Cada vez mais, estamos preocupados em moldar uma imagem para um futuro ou questionar algo que aconteceu no passado.

Em meio a esta reflexão, em uma de minhas práticas de yoga, fomos convidados a trabalhar posturas de equilíbrio. Nestes ásanas (nome dado para às posturas), temos que nos concentrar profundamente para não cair, literalmente. Esta concentração contribui para que nossa mente venha automaticamente para o momento presente, um “pulo no desconhecido” (como lembrou minha professora), algo extremamente emocionante.

Com tanta informação, agenda cheia, compromissos diversos e estímulos constantes, se deparar com o presente pode ser um grande desafio. Tenho buscado viver o presente como nunca e minha experiência nos pequenos momentos têm sido maravilhosas.

A eterna busca pela felicidade deve ser o combustível para nossas vidas, e ela se inicia quando conseguimos viver o aqui e o agora.


Muitas vezes me deparo comigo mesmo reclamando sobre algo supérfluo, como o atraso do garçom ou o farol demorando para esverdear. Nestas horas, principalmente nelas, o desafio é viver o momento. Um bom exercício é olhar fundo nos olhos de quem está com você, buscando um momento de paz e de amor, escondidos na confusão do momento.

Reconfortante também é ouvir as nuances de uma música que toca no rádio ou apenas respirar com o silêncio. Perceber os pequenos detalhes dos instantes é o primeiro passo para tornar a vida mais sutil e entrar de fato na contemplação da felicidade. Acredito que mais de 90% de nossas angústias se tornam desnecessárias se conseguirmos dar um tempo para nós mesmos e viver  "só um minutinho" (ou segundinho) no presente. Vale a tentativa!

Namastê!

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Madalena, Madalena, onde está nosso carnaval?


Passei os dias de carnaval em São João da Boa Vista e Poços de Caldas, minha cidade natal. Confesso que nunca fui muito fã da festa e há anos não caio na folia com a “garra e a vontade” de um “guerreiro” (para usar a expressão dos gosmentos do Chiclete com Banana), mas resolvi dar uma passadinha pelos eventos promovidos pela Prefeitura em Poços.

Bem, a programação para os idosos e casados-com-crianças até que estava legal. Montaram um palco com marchinhas atrás do Palace Hotel, que animou a noite de meus avós e minhas sobrinhas. Na segunda durante o dia, fiquei aliviado de saber que o tradicional desfile de fantasias de papel continuava vivo no Country Club. É um concurso de fantasias na piscina, as pessoas desfilam e depois caem na água, desmanchando toda a alegoria.

Depois de pular um pouquinho e ficar animadinho com algumas cervejas, resolvemos arriscar nossa noite no “corredor da folia”.

O que foi aquilo? Juro que me senti no meio de um baile funk (falido) do Rio de Janeiro. Nunca estive em um, mas posso afirmar com toda certeza do universo que o que eu ouvi e vi não era carnaval nem aqui, nem na China. Aliás, nem um chinês que tenha vivido isolado em alguma montanha por toda sua vida acreditaria se alguém dissesse que aquilo é carnaval.

Não encontrei nenhuma pessoa fantasiada, não tinha nenhum confete ou serpentina para brincarmos, todos estavam vestidos com camisetas de times de futebol ou algum traje de hip-hop e, para piorar, o DJ só tocava funk.

Fiquei triste! Quando eu era adolescente, passava os dias de carnaval perambulando pelas ruas de Poços. Primeiro, o que nos movia era o momento de liberdade que tínhamos para azucrinar todos com bexigas cheias de água e guerras de ovos entre as turmas de colégios e ruas. Ok, as guerras de ovos seriam um absurdo nos dias de hoje, mas a rivalidade pacífica entre os moleques tornava nossa cidade mais aconchegante e unida.

Com o passar dos anos, o dinheiro dos ovos mudou de destino e financiava as caixas de cerveja e tubos de “universitário” guardados com antecedência em nosso QG na Rua São Paulo. Daquele apartamento “abandonado” pelo meu pai, saíamos já “descontraídos” e menos tímidos para pular a valer ao som das marchinhas no Bar do Gigi ou no Capitão Grill. O mais industrializados dos sons não chegava nem perto da falta de qualidade do que ouvi neste carnaval.

A noite terminava nos bailes da Caldense ou no Palace Cassino, com muita marchinha, fantasias e descontração.

Os anos se passaram (não foram tantos assim!), a festa que tomava conta das ruas foi proibida por gestões hipócritas e conservadoras em nossa cidade. A proibição e a necessidade de controlar o incontrolável, deram espaço para um carnaval fajuto, sem essência ou espontaneidade.

O mais triste desta história foi saber que a secretária de Turismo, Tereza Navarro, também pulou carnaval com nossa turma, antes de se render à politicagem barata e retrógada dos velhos coróneis que acabaram com todo o charme de Poços de Caldas.

Não vivo lá há mais de dez anos, mas visito a cidade quase mensalmente. A cada visita, fico mais decepcionado ao perceber que a necessidade de status de poucos deixou com que a magia das praças, dos balneários e do povo acolhedor morresse, dando espaço para um crescimento urbano desordenado. A cultura da cidade, famosa por receber intelectuais, está sendo contaminada por lixos culturais consumidos por uma juventude sem formação, orientação ou perspectiva de futuro.

O final desta história já conhecemos bem das favelas e periferias das grandes cidades. Talvez seja o momento de se pensar em fazer um carnaval de fato e não apenas montar palcos imensos olhando com sede para os votos da próxima eleição.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Mídias sociais: amigas ou vilãs?

Geralmente deixo este espaço para dividir opiniões e acontecimentos pessoais, mas hoje resolvi avançar meus dedinhos para um assunto profissional.

Tenho tido a oportunidade de ler muito sobre comunicação, mas desta vez sem o olhar viciado que costumamos ter quando estamos em uma corporação ou agência.

Algumas questões têm me intrigado bastante quando vejo que 9 de cada 10 posts ou tweets sobre inovação ou estratégia de comunicação tratam do “fenômeno” das mídias sociais.

Todos os “experts” em comunicação bradam aos ventos que estamos vivendo um momento ímpar na comunicação e que praticamente todas as práticas “tradicionais” já estão defasadas e morrerão no próximo raiar do sol.

Bom, não sou um crítico das novas tecnologias (tenho perfis e um blog) e reconheço a mudança no mercado de comunicação. Entretanto, costumo jogar baldes de água fria quando estou em bate papos que caminham em uma única direção, colocando em um altar as mídias sociais, sem levar em consideração os espinhos deste novo momento.

Sei que praticamente todos os meus amigos possuem um perfil no Facebook, no Orkut e no Twitter (até meu pai me deu uma bronca pelo Facebook outro dia), porém meu questionamento vai pela diagonal e trata do conteúdo que estamos compartilhando, lendo e replicando. Existe realmente a tal liberdade de expressão tão esperada e criada pela Internet? Esta obesidade de informação está deixando espaço para nos tornarmos mais críticos e evoluir em pontos que realmente farão diferença no mundo?
Está havendo a democratização de opiniões de fato ou estamos falando com pessoas que pensam da mesma forma que nós, sem dar espaço para o debate produtivo e construtivo?

Quando vejo que a maioria dos conteúdos replicados se restringe a comentários sobre o último paredão do BBB ou um “vídeo sensacional” com uma travesti sendo discriminada, começo a ter dúvidas sobre o “milagre” das redes sociais e sua capacidade de dar voz além dos “tradicionais” meios de comunicação.

Outro fato que me intriga é a proibição de acesso às redes sociais dentro das corporações. Em um artigo recente publicado pela The Economist e analisado por Cristina Mello no Nós da Comunicação, percebe-se que ainda não utilizamos as mídias sociais em prol de nossas atividades. As empresas ainda não permitem o acesso e não estão confortáveis em liberar seus funcionários para twittar, blogar ou acompanhar o Facebook enquanto exercem suas atividades profissionais.

As razões sobre a proibição tratam da segurança da informação e também da produtividade. Um dilema que tem sido colocado embaixo do tapete pelos gestores, mas precisa urgentemente de definições. Sugestões sobre como lidar com esta questão no mundo corporativo têm surgido, como a criacão de políticas de uso de redes sociais dentro das corporações, mas sinto que o passo está lento demais para acompanhar a invasão dos smartphones e a necessidade que todos temos de estar conectados 24 horas por dia.

O fato é que, na minha percepção, o assunto vai além de apenas liberar o uso no horário de expediente. A utilização das mídias sociais com livre expressão dentro das empresas passa por outros campos, muita vezes minados, que poderão mostrar que o selo de “Melhor Empresa para se Trabalhar” pode ter sido a opinião de alguns, revelando lacunas nas políticas de gestão de pessoas. Talvez, antes de abrir a caixa de Pandora nas redes sociais, precisamos rever o discurso e a prática na gestão de pessoas. E, antes de tudo, entender como estas redes podem agregar e não segregar.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Casamento à brasileira

Começo o ano bastante otimista. Apesar de algumas incertezas, sinto coisas boas chegando por aí.
Neste primeiro post de 2010, algumas reflexões sobre minha união com Eden e como tem sido a experiência de aceitar e ser aceito.


Acabamos de dar um entrevista para o SBT sobre o contrato de união homoafetiva que assinamos no início de novembro. Na época que decidimos tornar pública nossa união, confesso que não chegamos a travar grandes debates sobre o assunto (apesar das relfexões serem constantes em nosso relacionamento).
A entrevista fez com que discutíssimos um pouco mais sobre o assunto. O fato é que, apesar de não ser realmente necessária, a assinatura do contrato é essencial por alguns motivos:
1.
Assim como todo casal, somos cidadãos e temos o direito de ter nossa relação tratada com igualdade em todos os âmbitos institucionais. Ou seja, se precisarmos tomar decisões um pelo outro em hospitais, cartórios, tribunais etc, não podemos ou queremos ver nossos direitos ameaçados por possíveis preconceitos;

2.
Tornar pública nossa união, reforça a necessidade de todos os casais homossexuais afirmarem suas escolhas, deixando de viver pela metade. Ou seja, muitos casais vivem juntos apenas dentro de quatro paredes e ainda continuam sendo solteiros na vida pública.

3.
Assim como os casais heterossexuais, também temos a necessidade de celebrar o amor e deixar claro para todos que nossa relação é igual a qualquer outra.

Outro dia minha sobrinha de oito anos perguntou se eu era casado com o Tio Eden. Confesso que dei uma titubeada para responder, mas em seguida esclareci que sim.
Obviamente a pergunta seguinte foi pautada pelo o que ela vê e assiste todos os dias: “Mas quem é a noiva?”. Expliquei que não tinha noiva e que íamos em breve fazer uma cerimônia de “casamento”. Ela ficou empolgada para saber como vai ser. Eu também estou. :)
Ela e nossas outras sobrinhas convivem conosco há muito tempo e nunca questionaram nosso amor. Pelos olhos de uma criança, percebe-se que qualquer tipo de preconceito e distinção é criado pelos homens com sua incrível capacidade de ser intolerante.
Há quem diga que a união é contra os princípios de um deus qualquer. Não sei como este deus surgiu, mas acho difícil ele ser o mesmo que o meu. O meu Deus, franco e sincero, aceita todo tipo de amor e não distingue nenhum ser. Regras e verdades absolutas são feitas por homens fracos e pequenos que não conseguem aceitar que a felicidade está muito perto de você, basta você olhar para si com seus próprios olhos, sem tomar emprestado visões criadas com interesses alheios.
Como sonhador que sou, espero em breve não precisar dar entrevistas sobre este assunto. No mundo que viverei, a sexualidade não será pauta de jornal ou debate em mesa de bar. Falaremos de assuntos mais interessantes como a necessidade de cuidar da natureza ou ensinar nosso filhos a amar, sem julgar.
Um bom ano a todos!


Namastê!

P.S.: O título do post foi inspirado no nome de um filme do qual tivemos o prazer de conhecer o diretor e o principal personagem: Casamento à Espanhola (Campillo, sí quiero). É um documentário maravilhoso sobre um povoado ao redor de Madrid que se tornou conhecido por celebrar casamentos gays. O prefeito é gay e venceu as barreiras do preconceito se casando em um povoado tradicional e católico. Vale a pena ver!

quarta-feira, outubro 14, 2009

Os sabores das frutas



Segunda-feira, dia das crianças, tarde morna e simpática.

Muniz me liga para um almoço. Sem saber muito para onde ir, avistamos um pé de pitanga de dentro do carro. Muniz para e o papo embaixo do pé dá o tom da tarde agradável.

O almoço é na Vila Madalena, muito mais simpática e agradável que em finais de de semana normais, quando o o bairro é invadido por carros pretos estressados, tirando o sôssego das simpáticas ruas.

Como não sabíamos o endereço do restaurante, paramos o carro a alguns quarteirões de onde imaginávamos ficar o aconchegante Bar São Cristóvão. Comida caseira, chope cremoso e um papo sincero e harmonioso, dádiva das grandes amizades.

A chuva de verão (ou primavera) vem junto com o café. Uma pausa para o silêncio e vamos encontrar o carro. No caminho, as árvores de pitangas e amoras dão a direção.

Eu e Muniz voltamos a momentos de nossa infância no interior, quando árvores frutíferas eram o objetivo de nossas expedições de bicicleta. Ele em Vargem Grande, eu em Poços de Caldas.

As diferentes árvores renderam assunto. Por que uma é mais “carnuda” que a outra? Ou mais doce? Ou mais cítrica?As respostas são leigas, mas deve ser porque cada uma dá os frutos de acordo com sua rua. Umas mais íngremes, outras menos. Uma com mais carros, outras mais calmas.

A tarde foi curta, mais o momento é mais um daqueles inesquecíveis. Recheado de coisas simples que adubam nossas vidas e dão o sabor de nossos frutos.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Pausa para respirar


Outro dia, durante minha prática de yoga, tive a oportunidade de entrar em um estado bastante agradável de paz interior.
Após mais de dois anos de prática, descobri que a parte mais difícil da yoga está nos momentos de relaxamento. Assim como a maioria das pessoas, eu tenho bastante dificuldade de aceitar o que o universo está disposto a me oferecer. Estamos sempre prontos para doar, sejam coisas boas ou ruins.
Bom, neste dia percebi que estava recebendo uma dádiva do universo e que não poderia adiar o recebimento deste presente.
Decisões foram tomadas e uma vontade imensa de apostar em algo que ainda não sei o que é exatamente. Parece discurso de pastor evangélico, mas sim, percebi que precisava abandonar o mundo por um momento. Dar uma pausa para entender onde e como me encaixaria neste universo maravihoso em que vivemos.

Por isso, após cinco anos de aprendizado, trocas e momentos inesquecíveis, decidi sair da empresa em que trabalhava para ganhar um presente do universo: uma pausa para mim mesmo.

O tempo é o menos importante, mas o fato é que vou parar um pouco.

Respirar, sentir o cheiro do mundo, tocar o ar e limpar caminhos da mente!

Ao pessoal da Espiral, obrigado por todos os momentos.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Aprendizados


D. Lucília, italianinha inteligente de Caldas, não imaginava que no meio do caminho para as Campininhas encontraria Adolfo. Naqueles tempos de guerra, mesmo do outro lado do mundo, era sempre bom desconfiar destes alemães.

O encontro virou casamento e em seguida vieram os filhos: Olga, a altiva; Alberto, o estudioso; Celia, a cuidadora; Lolo, o galenteador; Zeca, o companheiro e Luiz, o que estava sempre rodando por aí.

Quando moleque, Luiz gostava de estar perto do pai, conhecendo pessoas e sempre perguntando as coisas. Nestas de perguntar, aprendeu muito. Também gostava de suas farras. Quando encontrava o primo Jair, até em porões eles se enfiavam para ouvir os casais se engraçando na intimidade de seus quartos.

Com Jair ele começou a tomar algumas cachaças. Mas não podia ser poucas não. O negócio era beber bastante para perder a vergonha e dançar pra valer com as meninas nos bailes das fazendas perto de onde moravam.

Das Campininhas, Lucilia e Adolfo se enverederam para os lados do Rio Pardo, lá pela Serra do Selado.

Luiz já completava seus 21 quando encontrou Ivanilda, filha do Nezinho, dono das terras por aquelas bandas. Os olhos cor de mel combinaram com os seus, azuis como céu em dia de inverno.

O galenteio do Zinho, apelido que a Vanirda deu pra ele, conquistou a moça que logo aceitou juntar seu trapos com o Alemão.

O casamento aconteceu, mesmo com o bico do Seu Nezinho. E agora, ficar cuidando da venda perto do sogro estava meio chato.
- Disseram que lá pras bandas do Mato Grosso o negócio anda bão, disse o primo Jair um dia.
Juntaram os trapos e lá se foram para a aventura. Naquele fim de mundo tiveram até que dormir embaixo de árvore.

Não precisou de nenhum mestre em negócios para dizer para o casal que montar uma venda na beira da estrada ia dar certo.
Não tinha dia ou noite para os dois. Se chegava uma caravana de boiadeiros, lá ia dona Ivanilda fazer comida e o Seu Luiz vender cerveja gelada e cachaça. A conta ficava alta, mas para os tropeiros quanto mais alta, melhor.

Em Maracajú, Graucia (minha mãe) e Donizetti nasceram. Luiz tentou plantar coisas e entrar no ramo da agricultura, mas seu negócio na época era o balcão mesmo.

Em uma de suas andanças para Campo Grande, Graucia ainda com 3 anos fez questão de ir com ele pra vender umas sacas de alguma coisa (batata acho). Voltaram na boleia de um caminhão. Uma aventura que Luiz se lembra até hoje.

A saudade das Minas Gerais foi grande. A família, agora maior, voltou. Na Rua Santos Dumont tiveram um empório, onde Luiz Henrique nasceu. De lá, voltaram para a venda do Selado, quando Renata chegou. Da cachaça ficou só o cheiro, que Luiz gosta de apreciar cheirando um trago de vez em quando, mas só cheirando hein?

As coisas iam bem e Luizinho começou a fazer carretos de lenha pra cidade. O negócio de lenha deu certo, até que surgiu a oportunidade de comprar umas terrinhas, estas que estamos agora. O velho Adolfo foi contra, achou muito caro. Luiz, teimoso, apostou.

O eucalipto surgiu como oportunidade. Com muito trabalho, determinação e esforço, o negócio deu certo. E continua até hoje.

A família não pára de crescer. Cada um carrega em si um pouquinho do Seu Luiz.

Nesta história, todos que um dia conhecem este grande homem, aprendem muito. Parabéns pelos seus 80 anos vô, pai, tio, Seu Luiz Schultz. Obrigado por todos os seus ensinamentos. Não seríamos o que somos sem o senhor ao nosso lado.


* Este texto foi escrito e lido por mim durante o aniversário de 80 anos de meu querido avô Luiz. Muita emoção e alegria de ter este grande homem como mestre!

quinta-feira, setembro 17, 2009

Política: tá afim de discutir?

Embora eu não queira assumir, o assunto política me interessa bastante. Vira e mexe eu coloco como meta não discutir mais política, não me irritar com as besteiras que ouço, leio e vejo na mídia tradicional e por aí vai.
Acontece que é impossível não pensar em política quando se vive em uma cidade cheia de contradições e absurdos. Cada vez que vejo um mega carro destes pretos tentando passar na frente de todo mundo ou algum discursinho vazio afirmando que pobre é pobre porque quer, na hora penso em política. Sim, tudo está ligado.
O cara que se acha superior e privilegiado porque tem um carrão e também culpado pela "pobreza"do outro. Ao mesmo tempo, o cara que é pobre e aceita sua condição, também é culpado por se deixar ser explorado. Onde está a diferença? Bom, na minha opinião, o cara que está no carrão sabe muito bem que sua atitude é pouco cidadã e entende perfeitamente as consequências de suas atitudes.
Claro que estou generalizando, mas estes dois extremos ilustram bem um monte de coisas que deixam bem explítico o motivo pelo qual eu e todo cidadão deve sim se preocupar com política.
Eu já defini os meus termos para entrar em uma discussão política, são eles:
1. Não discuto política como se discute futebol. Emoção e fanatismo não combinam aqui;
2. Não aceito qualquer opinião emprestada dos veículos de comunicação. A imprensa, teoricamente, deve informar para que você tire suas próprias conclusões e forme sua própria opinião;
3. Não aceito qualquer tipo de argumento baseado em origem social, raça, cor, sexualidade etc;
4. Aceito um bom debate pensando no todo, não apenas no próprio umbigo. Se queremos mudar algo, temos que pensar no coletivo;
5. Não aceito ofensas pessoais;
6. Aceito sair da discussão se eu desrespeitar alguma destas regras acima.

Bom, pra começar do debate, com quem quiser, proponho um papo sobre esta entrevista do Lula ao Valor Econômico.
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/17/uma-entrevista-historica/

Separei um trechinho simples que resumi um monte de críticas (justas muitas vezes) ao governo Lula. Reparem que a minha escolha de tema já começa respeitando aquelas regras lá de cima.

"A gente não deveria ficar preocupado em saber quanto o Estado gasta. Deveria ficar preocupado em saber se o Estado está cumprindo com suas funções de bem tratar a população. E ainda falta muito para chegar à perfeição."

Tá afim de debater, deixe seu comentário aqui ou vamos marcar um olho no olho.

Inté!

sábado, agosto 22, 2009

Não é convidado e ainda quer sentar na janelinha

Acho que adiantei minha entrada no inferno astral. Não sei se acredito nisso (nunca fui a um astrólogo ou descobri meu ascendente), mas estou tão irritado com o que tenho lido por aqui.
As notícias, comentários no Twitter e posts estão tão iguais e sem nada a agregar que acho que vou precisar aumentar meus dias na yoga.
Eu criei um certo hábito de gostar de política (deve ser herança do meu pai), mas não consigo encontrar um indivíduo disposto a discutir política sem a paixão futebolística típica do brasileiro. Além do fato da maioria das pessoas pautarem sua opiniões pela grande imprensa, unânime na sua jornada em derrubar qualquer força que vá contra seus interesses (leia-se interesse da "elite branca").
Bom, tenho mudado um pouco o foco do meu trabalho e estou entrando de cabeça neste lance que chamam de mídias sociais. Como curioso que sou, tenho percebido que todos os "especialistas"no assunto enxergam estas novas mídias como uma oportunidade para vender ou reforçar suas marcas. Eu, com meu lado mais "social" (pra fazer um trocadilho), prefiro encarar este espaço como um local para conversas entre cidadãos.
Se você quiser vender, trate de entender a conversa, se interessar de fato pelo assunto e aí sim analisar se cabe entrar com sua marca ou produto. Chegar falando e vendendo o seu produto pode ser invasivo demais neste novo ambiente. Não adianta chegar atrasado, sem ser convidado e ainda querer sentar na janelinha.
Inté!

quarta-feira, junho 17, 2009

Reflexões, momentos reais e a Internet

Ultimamente tenho passado por momentos complexos de reflexão. Ok, todos sempre passamos e isso é o que nos dá vontade de continuar apostando nos nossos ideais. É que nos últimos meses tenho me envolvido cada vez mais com assuntos que me dão tesão de fato. Não, não mudei de emprego, não mudei de amor, não mudei de casa! Mudei minha leitura e comprei um notebook decente.
Todos vão dizer: Uau, grande M*&&#!
O fato é que passei a perceber que apesar de estar há quase dez anos no mercado de comunicação, eu ainda não me livrei de velhos preconceitos bestas e fiquei um pouco estagnado.
Enfim, nunca é tarde. Estou adorando perceber o potencial que a web tem na mudança da sociedade e presenciar um momento de transição intenso como este.
Dá uma certa angústia perceber que existe milhares de coisas que podem ser feitas na Internet e que infelizmente não dá tempo.
Dedico grande parte do meu tempo ao trabalho e não consegui abdicar dos meus momentos "reais". Amor, casa, família, yoga e viagem ainda são prioridades no meu tempo livre.
Tenho sido e estou me provocando nestes últimos dias sobre o modelo ideal de vida e as possibilidades que a internet nos dá para conciliar estes momentos reais sem deixar de contribuir para esta mudança de paradigmas patrocinada pelo mundo virtual.
Bom, acho que agora decidi apostar no meu potencial. E olha que nem estou na terapia.
rsrsr
Cenas do próximos capítulos virão.

sexta-feira, maio 08, 2009

Ah, este POVO!

Uma das coisas que mais me dá prazer é poder conversar com pessoas dispostas dividir opiniões e pontos de vista. Mas não daquele jeito eu-sei-porque-eu-li-na-veja ou eu-sei-porque-eu-estudei-isso!
Hoje tive o grande prazer de tomar um cafezinho com bolo de cenoura com minha colega de trabalho. O assunto: desigualdade social.Ok, até aí nada de novo. Mas, não foi um bate-papo cheio de modismos “socialistas”ou piedades solidárias. Pelo contrário, fomos direto ao ponto.
Minha amiga tem uma história legal. Filha de empregada doméstica abandonada pelo marido, conseguiu se formar e está muitos anos luz à frente das “patricinhas made in colégio Rio Branco com intercâmbio nos States” que fazem trabalho voluntário na ONG do titio.
Eu, burguesinho metido a socialista (foi como me senti), não poderia descrever um ponto de vista tão “sulfuroso” como o dela.
Apesar de ter uma história digna daqueles quadros sensacionalistas do Gugu, a “menina- filha- da- empregada- doméstica- que- está –vencendo- na- vida”odeia este blá-blá-blá piedoso.
Nosso papo passeou por várias coisas, mas o que mais marcou foi nossa análise sobre o quanto as “gatinhas e gatinhos do circuito Jardins-Morumbi” têm uma imagem TOTALMENTE distorcida da realidade. Consegui me ver em diversos momentos, mas percebi que tenho avançado bastante neste discurso hipócrita e sem fundamento do responsável socialmente ou do “eu tenho, mas não exploro”.
É difífil perceber, mas frases como “Só tinha povo feio”, “Cuidado com este povo”, “Nossa, fecha o vidro!” carregam em si algo ainda pior que o apartheid declarado da África do Sul.
Ainda não conseguimos aceitar nosso povo. Ainda acreditamos que o povo que queremos ser está lá longe, na Europa, lindo e branco.
Pelo amor de Deus, enquanto quisermos “embranquecer”nossa pele, alisar nossos cabelos, votar no intelectual com MBA nos EUA e coisas do tipo, só aumentaremos nossos problemas.
Embora eu discorde muito com este tipo de atitude, confesso que minha indignação tem sido deixada de lado. Não me revolto tanto mais. Ouço, fico calado e olho torto.
Talvez porque não sei com que armas lutar. Talvez porque sou conformado mesmo. Talvez porque tenho medo de me enxergar neste povo mesquinho, hipócrita e segregador da nossa classe média.
Enfim, reflexões sulfurosas!

P.S.: Lembrei muito do livro do Darcy Ribeiro, Povo Brasileiro. Ele conseguiu explicar “sociologicamente”este meu sentimento confuso. Vale ler!

quarta-feira, abril 15, 2009

Tempo, brincadeiras chatas e nova cara

Nossa, faz quase um mês que não apareço por aqui. Acabei de cozinhar. Estava sozinho, meio borocoxo e resolvi cuidar de mim fazendo uma comidinha light.
Abri a geladeira e a mesma sensação de agora, parecia que fazia pouco tempo que tinha feito compras mas a alface já estava murcha.
Este lance de sociedade da informação está realmente mudanda a noção espaço-tempo. Tudo parece que foi ontem e ao mesmo parece que faz décadas.
Estou indo a um curso na PUC sobre Comunicação e Movimentos Sociais. É impressionante como todo mundo que curte analisar as relações entre as pessoas está sentindo mais ou menos o mesmo.
A gente fica velho e nem percebe que o tempo passou ou o tempo passou e a gente nem percebe que ficou velho? Loco né?
Hoje estou meio tilitintando da cabeça!
Ah, estou putaço com estas brincadeiras carregadas de preconceito. Porque não podemos demonstrar nosso carinho sem precisar ofender os outros né?
Bom, um post íntimo de vez quando faz bem.

Inté.

P.S.: Mudei o layout do blog. Tava feio! E vou tentar colocar o twitter aqui tbm.
Finalmente tenho wireless em casa e o note veio para a sala. A TV agora fica desligada, pelo menos quando estou sozinho. Ufa!

terça-feira, março 03, 2009

Soninha na Lapa - Um outro bairro é possível!?

Acabo de descobrir que minha candidata a prefeitura de São Paulo está mais perto de mim do que eu imaginava. Ele aceitou o convite para ser subprefeita da Lapa, meu bairro de residencia, trabalho, família, yoga etc.
Tirando o fato de achar estranha a aliança da Soninha com o Demo, partido do atual prefeito Kassab, achei a notícia ótima.
Sempre admirei a Soninha por suas idéias, atitudes, coerência política etc. Enfim, este é mais um fato positivo para o ano que começou cheio de novidades.
Tenho um monte de idéias borbulhando na cabeça e nunca encontrei o caminho para poder dividir com alguém do poder público. Vou me informar para saber qual a maneira de chegar até a nossa subprefeita e tentar me tornar um cidadão mais participativo.
Agora sim, sai do inferno da Berrini e de uma empresa nada legal para trabalhar em um local que tem tudo para ser referência em unir idéias e pessoas, morando do lado de casa (posso ir de bike) e ainda com uma política que fala a minha língua aqui do lado.
Um outro bairro é possível!?

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Imprensa? Prefiro a Internet!!

Não leio a Folha há algum tempo.

Ainda bem. Tenho mais certeza de que este periódico (os outros também) perdeu seu sentido quando leio que seus editores já não sabem nem mais quem ou o que representam.

Um vergonha saber que não existe um veículo da grande imprensa no qual posso me informar.

Prefiro a Internet.

Nova falácia da Folha de S. Paulo: ditadura é a PQP!, por Celso Lungaretti

sábado, fevereiro 14, 2009

Agora fico mesmo!

Resolvi voltar pra cá. Este negócio de vida online as vezes me incomoda. Parece que estamos ficando mais longe das pessoas, mas ao mesmo tempo mais perto. Acho que tem uma dezena de amigos que não encontro há pelo menos um ano, quer dizer, não encontro fisicamente, aqui na Web todo mundo sempre aparece.

Ouço uma música sobre universo paralelo e estas coisas. Acho que é mais ou menos isso que acontece: a gente cria um universo paralelo no mundo online, um local onde as emoções afloram sem vírgulas, o tesão não tem ponto, as idéias não precisam de aspas, as conversas vão sem travessão. É intrigante, mas é muito bom também.

A gente pode ser mais livre, ao mesmo tempo que estamos presos a uma tela. O que vale é equilibrar, não esquecer de sentir um cheirinho humano diariamente e ver aquele brilho no olho sem precisar ajustar a luminosidade de nossas telas.

Voltei sem pretensão, e queria encontrar mais gente. Tá afim?

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Esta semana descobri que não sai do meu bairro nenhum dia da semana. Pois é, embora esteja vivendo na megalópole babeliana São Paulo, eu tenho a sorte de estar trabalhando no meu bairro. Pela primeira vez em 11 anos estou experimentando a vida sem trânsito, ônibus lotado, fila de metrô etc.

Muito bom! Bom, o objetivo não é fazer ninguém morrer de inveja (Desculpa aí hein?), mas refletir sobre como podemos melhorar nossa qualidade de vida fazendo escolhas. Morar perto do trabalho, usar menos o carro, comprar na lojinha do bairro, conhecer nosso vizinho, tomar café da manhã com a irmã e outras coisinhas simples valem mais que qualquer teco a mais no salário.
Não que eu não queira mais din-din (vai que minha chefe lê!!), mas acredito que o bem-estar é o elemento necessário para o negócio dar certo, inclusive financeiramente.
Vocês não acham?

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Estou lendo Saramago, a Viagem do Elefante. O velho é bom mesmo. Ele tira do fundo do baú idéias que trazem consigo provocações exclusivas para os amantes da boa ironia!

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Também estou no twitter. Se quiser me seguir, cuidado com o vão entre a lucidez e a viagem sulfurosa!

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Até a outra!

quarta-feira, março 28, 2007

Um suporte para a arrogância!

Se existe um coisa que me incomoda bastante é a falta de interesse pela vida alheia. Odeio ficar comparando o Brasil com outros países, mas o fato é que brasileiro simplesmente nunca aprendeu a respeitar o seu próximo.

Apesar de toda "papagaidada" que fomos obrigados a ouvir na escola (aulas de Moral e Cívica) ou nas igrejas, parece que o princípio básico de respeito ao próximo nunca entrou em nossas cabeças.

Ontem estava indo embora e percebi que a placa da frente do meu carro estava completamente moída. O motivo: um suporte para carrocerias que o meu compatriota do carro estacionado em frente usou para "arrumar mais espaço" na vaga já apertada na rua.

É claro que minha raiva, por alguns momentos, foi maior que minha decepção. Mas depois, a decepção se tornou um pouco maior.

Este é apenas um exemplo que explica muitos de nossos problemas. Temos o péssimo hábito, principalmente entre os meus companheiros de classe média emergente (rsrsrs), de culpar o governo, o vizinho ou o colega de trabalho por diversas situações. Mas esquecemos que, muitas vezes, pequenas atitudes arrogantes nossas, só contribuem para piorar nosso País, nossa cidade, nosso bairro, nossa casa.

Cortar fila, tirar carteirinha de estudante mesmo depois de já ter se formado, "construir" uma terceira faixa no trânsito, ignorar o buraco em frente nossa garagem, enfim, fugir da responsabilidade, tornou-se comum entre nós, elite branca de uma sociedade massacrada.

Coloco a culpa em nós sim, porque somente com a mudança de atitude da classe média poderemos pensar em fazer algo diferente.

Enfim, não aguento mais Big Brother, não suporto só conversar sobre seriados gringos, sinto falta de cultura brasileira nas rodinhas, odeio shoppings, quero seres pensantes ao meu redor.
Desabafei mais uma vez!

Inté!